A importância do foco e do jogo interno!

Taylor Townsend, tenista, surpreendeu e trouxe uma discussão sobre a forma física de uma pessoa esportista. A discussão muda de figura quando se questiona a capacidade de competir. Quando se questiona o quanto de foco se consegue colocar pro jogo.

Quando comecei a treinar tênis, existia uma busca minha por consistência, força, de acertar as batidas, de sacar melhor, forehand, backhand, slice e tudo mais… sem dúvida o treino dos fundamentos é importante. É essencial!

O ponto é que depois de algum tempo treinando comecei a notar que tinha capacidade de perder jogos que estavam praticamente ganhos, e também tinha capacidade de ganhar jogos que estavam perdidos. E principalmente de notar que não era sorte. Este tem sido o melhor aprendizado do tênis na minha vida, de conseguir entender porque mentalmente eu ganho, perco e me recupero de situações.

Da mesma forma, comecei a notar que na minha vida pessoal e profissional, tinha vitórias e derrotas sem entender porque elas aconteciam. De novo o jogo mental aparece e me mostra que tem algo mais acontecendo.

Estamos falando do jogo interno (inner game), do modo como encaramos as situações que aparecem na nossa frente. Temos a capacidade de criar estados mentais que nos ajudam na preparação para um desafio. Timothy Gallwey escreveu um livro que ajuda até hoje muitas pessoas a entender deste processo e a desenvolver seus “gatilhos” para fazer as coisas acontecerem.

Resumo da história? O tênis é um esporte físico sim, e muito, mas é muito mais mental. E o grande aprendizado que levo para a minha vida e para outros esportes que pratico é esta busca pela consistência. E no caso, principalmente no lado mental.

O processo do jogo interno e como Tim Gallwey o desenvolveu é bem interessante. A diferença era que Tim estava buscando formas de fazer os alunos aprenderem o jogo de tênis, ao invés de buscar formas de ensinar. Isto fez toda a diferença. O processo foi de facilitar o aprendizado através da experiência prática. Remover barreiras e minimizar julgamentos, permitindo a experimentação. Nós temos a capacidade de controlar uma certa interferência que nós mesmos colocamos no nosso dia a dia. Quando crianças estas barreiras são menores. Quando crescemos, também crescem as barreiras e julgamentos. Nos tornamos interessados em saber se estamos fazendo certo e queremos evitar fazer se por acaso parecer que estamos indo pelo caminho errado.

O Tim comenta de uma fórmula para o desempenho. Desempenho é igual a potencial menos interferência.

D = P – I
Desempenho = Potencial – Interferência

Podemos aumentar o nosso potencial, e podemos reduzir medo e dúvidas que nos fazem travar e não seguir em frente nos desafios. Performance continua sendo o foco, mas diversão e aprendizado passam a fazer parte do processo. E pode ter certeza de que quando a gente faz uso de diversão, conseguimos tornar o aprendizado mais leve.

Como minimizar o nosso lado crítico? Não julgar o que estamos fazendo. Simplesmente faça. Somos julgados em tudo o que fazemos na nossa vida. Queremos neste caso silenciar a mente, mas não vai servir simplesmente mandar ela ficar quieta. Não podemos também ficar chateados porque estamos nos julgando. O principal é aprender a focar, mas focar em que? No caso do jogo de tênis, eu preciso focar no meu corpo (posicionamento) e na bola. O ponto é que precisamos aprender e entender quais são os aspectos de uma determinada situação que vão nos ajudar a completar a tarefa em questão. Isto vai ser o focar.

O processo de julgamento sempre vai ser ruim. Agora o desafio é quando conseguimos observar um comportamento nosso, sem julgar como positivo/negativo, certo/errado, bom/ruim. Gallwey fala sobre 4 passos para alcançar o jogo interno:

  1. Observar sem julgamento
  2. Visualizar o resultado que desejamos obter
  3. Confiar no nosso segundo “eu”, aquele que sabe fazer o que tem que ser feito pela habilidade natural
  4. Observar sem julgamento as mudanças que fizemos e os resultados alcançados até este momento.

Precisamos deixar o nosso jogo emergir. Precisamos ter a prática e desenvolver a habilidade natural. Podemos observar outros fazendo a mesma atividade, e não julgar. Precisamos mais ainda conseguir trabalhar a visualização. Temos que nos perceber fazendo a atividade, e nos perceber tendo sucesso realizando ela. O processo de visualização vai ser muito importante.

Temos sempre dois jogos ocorrendo no nosso dia a dia. Um jogo externo e um interno. Quero focar aqui no jogo interno. O jogo externo tem a ver com os nossos oponentes no caso de esportes. O jogo interno é jogado com a mente do jogador e seus principais obstáculos são a dúvida de si mesmo e a ansiedade. Quando alguém fala “deixa eu te mostrar como se faz certo”, estamos julgando e travando o aprendizado da pessoa. Ao invés disto, é preferível que se funcione como modelo, apoiando no processo de visualização. Deixe a pessoa desenvolver o seu próprio estilo. Sem julgamentos.

Ser expert no jogo interno é aprender como superar a dúvida, nervosismo, ansiedade e lapsos de concentração que nos impedem de ter o melhor desempenho que podemos ter.

Positividade e visualização. Itens necessários e essenciais para que possamos seguir em frente com os nossos objetivos. Lembrar que quando estamos “jogando” temos sempre duas visões. O “Eu-1” que está sempre preocupado se estamos fazendo o movimento correto. O “Eu-2” é nossa memória muscular que faz o que faz porque simplesmente faz. Muitas vezes realizamos ações e nem pensamos a respeito, ou pelo menos parece que não pensamos a respeito. O nosso corpo no entanto está respondendo e funcionando neste movimento muscular. Para jogar melhor e fazer melhor as nossas atividades, precisamos silenciar o “Eu-1” e deixar o nosso “Eu-2” fazer o que gosta e sabe fazer através da visualização.

E você? Quais são os gatilhos que você tem para ajudar nas suas metas e objetivos do dia a dia? Como funcionam seus processos de julgamento?

— Daniel Wildt

Extras:

Post sobre modelos e metas.

Post sobre estilo de vida e desenvolvimento de novos hábitos.

Vídeo de Tim Gallwey ensinando tênis para pessoas que nunca jogaram.

Livro do Tim Gallwey, The Inner Game of Tennis. Ou em português, no jogo interior do tênis.

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