Empatia e Simpatia – cuidado com o que você quer

Ouvi uma história esses dias, sobre um feedback negativo. A pessoa que recebeu o feedback foi indicada a ter mais empatia. Ela precisava sorrir mais, tipo ser mais feliz, saca?

Eu digo que saco. Perdemos a capacidade de sentir. E de ler o dicionário um pouco mais.

A coisa mais nhaca que existe é pessoa não acostumada a perguntar sobre as nuvens começar a parecer especialista em previsão do tempo. Logo, se você não tem o costume de perguntar as pessoas como foi o final de semana delas, como a minha professora da terceira série fazia, não se preocupe. Você não é um pessoa malvada. Talvez você apenas seja um ser humano.

Eu tenho certeza que você tem as suas perguntas. Olha exemplo das minhas:

  • Como estamos?
  • Dominando? (Inspirado em “dominate the game” – basquete)
  • Tudo belezinha?
  • Qualé?
  • Aê!
  • Bele?

Dizer bom dia / boa tarde / boa noite ou alguma variação quando se passa por alguém não machuca ninguém. Mas importante. Exercemos nossa simpatia quando fazemos isso. Eu posso usar o “beleza?” para fazer esse cumprimento. Um sorriso, um olhar, um balançar de cabeça, abanar, tudo ajuda para indicar que você percebeu pessoa passando.

Só que ao fazer tudo isso, cumprimentar, ser comunicativo, dizer por favor e obrigado… estamos falando de ser educado ou indo um pouco além, de ser simpático. Qualquer robô aprende a ser simpático. E sou literal a dizer isso. É só treinar ele para responder as perguntas da professora da terceira série.

Agora, podemos ser um pouco mais profundos que isso? Só que entenda que esse movimento vai custar muito mais tempo, pausa, paciência, e se você realmente estiver se aprofundando, vai precisar desenvolver uma rede de apoio pra aguentar tudo o que vem a seguir.

(Rede de apoio: pessoas que podem estar com você quando você precisar ser escutado. Pessoas que você confia, e que irão te oferecer uma escuta quando você precisar.)

Ao virarmos especialistas em responder a professora da terceira série, podemos nos tornar donos de uma bela oratória… mas o diferencial pra nossa vida está na nossa capacidade de escutar, de conectar com o outro. E é um processo de duas vias. E não existe “eu sei escutar”. Existe o “eu pratico escuta”. Corre junto com o aprofundamento da sua inteligência emocional. Todos os dias teremos algum desafio que vai acabar com a nossa capacidade de escuta. E lá vamos nós novamente para o laboratório, ganhar mais consciência e percepção. E no outro dia, lá vamos nós novamente, para a vida real.

Vou contar uma história sobre escuta e empatia.

Meu pai me levava pra escola todos os dias pela manhã no terceiro ano do segundo grau. Eu era silencioso. Ainda sou. Meu pai por outro lado é extremamente feliz pelas manhãs. Confesso que já chegou a dar raiva, mas eu entendo. 😛 Bom… ao chegar na esquina antes do colégio ele me jogava um “então?” e eu devolvia um “então?”. Esse era o nosso código de tudo beleza, mente serena, coração sereno.

Eu não era forçado a colocar uma máscara para ser parecido com outra pessoa, para ser “como era indicado”, no padrão fifa de membro de uma determinada cultura.

Você não precisa ser igual a todo mundo. Você deve ser você. E se existir uma pressão para que você seja igual a todo mundo, cuidado… é cilada!

E como se faz pra conviver com todo mundo? Simpatia ajuda mas não vai te salvar depois da primeira pergunta torta que deixar você irritado.

Desenvolva empatia. Capacidade de se conectar mais com a necessidade do outro. De ter mais percepção e consciência sobre a sua própria existência e a existência do outro. De entender mais da fisiologia das pessoas, das suas necessidades (vai precisar ter espaço para perguntar e escutar), e respeitar isso.

Se alguém está cansado, se adapte a partir disso. Se alguém está chateado com algo por exemplo, verifique se a pessoa quer uma escuta. Você não precisa:

1. Querer entender exatamente porque a pessoa está chateada.

2. Dizer que você é capaz de separar os problemas da vida pessoal da profissional, deixando seus problemas na porta da empresa.

3. Minimizar o sentimento dessa pessoa, dizendo “bora pra action”, “deixa disso” ou qualquer coisa do tipo.

4. Trazer sua opinião de mundo ou tentar resolver a questão levantada pela outra pessoa, sem que ela tenha requisitado.

A sugestão aqui, é que você segure julgamentos ao máximo. A gente cresce na vida resolvendo problemas mas nem todo problema quer uma resolução na hora que você quer resolver.

— Daniel Wildt

P.S.: Do que você tem controle? O que você pode fazer com a situação “chata” que aconteceu por último com você?

P.S.2: Rubem Alves fala sobre escutatória. Se interessar, siga nesse texto.

P.S.3: A programação neurolinguística me ajuda bastante no lance de escuta, mas o que vem me ajudando mesmo são os estudos e prática de assuntos como vulnerabilidade (Brené Brown) e comunicação não violenta (Marshall Rosemberg).

P.S.4: escrevi esse texto em um vôo entre Porto Alegre e São Paulo. Estou cansado, com sono, mas ainda mais consciente da minha necessidade de escrita. E por isso escrevo. E agora, vou dormir um pouco. Ganhe consciência sobre você. E assim você vai melhorar diariamente.

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