Sofrimento

De forma direta e abstrata, é uma escolha.

Também posso falar de forma direta que é muito fácil falar que é uma escolha. Na prática, existe uma sequência de sentimentos e vivências e dependências de passado que somam e causam a presença ou ausência de sofrimento frente alguma situação.

Podemos trazer para o presente o pensamento estoicista. O que acontece é só o que acontece. O que fazemos a partir do que acontece conosco é o que importa.

Ainda assim, podemos conseguir ter bloqueio emocional no momento presente quando algo acontece, para não sentir e seguir em frente, mas invariavelmente iremos escrever sobre o assunto no journal ou teremos algum momento de reflexão seja em terapia ou outra estrutura que temos de escuta. E aí você vai sentir. Pode demorar, mas você vai sentir, com todos ingredientes que precisam estar ali.

No meu caso, meu processo de sofrimento sempre acontece por situações onde não sou visto. Tudo começa por aí. Algum sofrimento vai ser desencadeado por eu não ser visto ou por eu ser classificado como “qualquer um” por alguma pessoa que importa e muito para mim. Por alguma pessoa que eu faria qualquer coisa para ver feliz e bem. É triste, eu sei.

Transformar o sofrimento em indiferença é como matar alguém. É como alguém que deixou de lembrar que existimos. E dói demais pensar que isso é solução para alguma coisa da vida.

Sei que deveríamos operar a vida de forma independente. Fazendo o nosso caminho. Ou melhor, interdependente. Ter consciência das relações eu-tu e eu-isso. Sim, aqui estou mais uma vez falando sobre Martin Buber.

Eu sei que sofrimento é normalmente algo ruim, mas por bons anos da minha vida sofrimento foi alimento para focar em outras áreas da vida, provar que eu poderia ser diferente e também escrever poemas. Por vezes ainda é.

No caso dos poemas, faz 25 anos que escrevo poesia e venho nos últimos 12 anos buscando aprimorar a minha técnica. Recentemente, comecei a publicar livros com o meu trabalho. Sofrer é quase parte do meu cardápio e algo que não vai ser fácil trocar.

Eu tenho praticado escrever pensando em um copo meio cheio. Pensando em felicidade ou calma ou paz, sentimentos que podem alimentar de forma diferente.

Penso que para fazer isso preciso esvaziar o que existir por aqui ligado em sofrimento. Assim posso aprender a vibrar amor. E não sofrimento.

— Daniel Wildt

P.S.: fiz uma playlist que chamei de “soak it in” tipo “deixe de molho” pensando muito nesse processo de deixar o sofrimento ficar ali. Não para se acostumar com ele exatamente, mas para pensar que enquanto fugir for uma opção, eu estou postergando aprendizado e consciência real.

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