Permissão para perceber?
E mesmo que se olhe muitas vezes, ainda vai ter o que sentir.
Quando minha avó começou a perder a memória e deixou de lembrar de mim, eu morri um pouco. Uma pessoa, muito importante, que deixa de me ver, mas não era como ela operava. Foram circunstâncias da vida.
A gente só é visto no olhar do outro? A interdependência é um processo interessante. Agora, seria interessante ser capaz de funcionar em cima do nosso próprio olhar e visão. E que isso fosse suficiente.
Eu cresci buscando validação de algumas pessoas. Confesso. Isso me moldou. E nota… eu não sabia que estava buscando isso. Eu projetava e gerava expectativa. E eu descubro depois de um bom tempo, quando tinha 30 anos, que expectativa é o grande problema. Gerador automático de frustração.
E hoje em dia?
Como estou mais consciente, tenho ainda gatilhos… só que agora percebo. Muito. E sofro. Mais recentemente, primeiro 2023 e agora em 2025, tive crises de ansiedade. As de 2025 foram implacáveis e cruéis. Não foram legais. A motivação: não ser visto. E em cada situação destas, que conecta com alguma história do passado, eu percebo, acolho, sofro, sofro mais um pouco, grito internamente… e agora estou conseguindo neutralizar e deixar no passado algumas coisas. E de algum modo, seguir em frente, do jeito que dá. Como diz Acústicos e Valvulados, “nem penso muito no que pode acontecer, enquanto arrumo, todas as coisas que eu sinto, meu passado e meu destino“.
A minha vida poderia ser diferente? Certamente. Acredito que as pessoas que não me vêem deveriam ser capazes de ser diferentes? Sim. E sei que é em vão. Ao mesmo tempo, esses traumas me fizeram ser quem sou. Buscar especialização em assuntos que não eram exatamente naturais para mim, mas que imaginei que seriam capazes de me ajudar a conduzir mudanças. Problema é que eu me conecto com algo que faço, em projetos de trabalho. Vida profissional.
E eu onde fico? Eu não sou meu trabalho. Sou pai de duas crianças lindas. Um observador do mundo. Tento transformar o que vejo e sinto em metáforas e versos. Começo por aí. Chegou a hora de olhar. Para mim. Vai ser meu pedido de presente de aniversário neste ano.
Pity fala: “o importante é ser você, mesmo que seja estranho“.
Audioslave fala: to be yourself is all that you can do.
Em certo aspecto, busca de interdependência e solitude.
E um pouco mais de indiferença com quem não me vê.
Valendo.
— Daniel Wildt
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