Se é novo, como se pode encontrar todas as partes em momentos anteriores da história? E em teorias consolidadas?
É novo, mas em que aspecto?
Quando me falam do jeito inovador de Michael Jackson dançar, eu lembro as pessoas que Bob Fosse no filme Pequeno Príncipe, fazendo o papel da Cobra, já demonstrava passos e vestimenta que vai aparecer na arte de Michael Jackson.
Quando me falam de métodos ágeis, lembro as pessoas do meu caminho em 2003 e 2004, voltando para estudos de sociologia, estruturas de trabalho com Domenico De Masi, liderança com Ricardo Semler, Taylor com a estrutura de tempos e movimentos, Fordismo na especialização técnica e por fim chegando no Toyotismo com pessoas importantes como Taiichi Ohno e Shigeo Shingo.
Você pode me falar que estamos na gestão 3.0, 4.0, na 666, tanto faz. Leia e entenda estes conceitos que estão presentes e disponíveis há tempos. Eles estão baseando como as pessoas se comportam e operam.
E nem estou falando dos estudos de Nonaka e Takeuchi da década de 80 com “The New New Product Development Game” e do trabalho ligado com “The Knowledge Creating Company“. Esse último de 1991 (livro de 1995).
Já falei que se não existissem métodos ágeis, seguindo o processo de eliminação sistemática de desperdícios através de melhoria contínua do pensamento Lean, a gente chegaria em todas as práticas que importam. E se complementa com o que vem junto com essa galera: ler Deming e chegar em pessoas como Joshua Kerievsky, David Hussman, Brené Brown e outras que podem vir na sua mente por aí.
Tudo o que estivermos experimentando e inovando provavelmente tem teorias e práticas já demonstradas em outros tempos. E provavelmente um mesmo problema, atual, pode passar pelos mesmos desafios.
Quando fui estudar sobre tempo, descubro Sêneca no livro “Sobre a Brevidade da Vida” falando sobre como as pessoas “perdiam tempo”.
Não quero dizer para você parar de experimentar e só estudar o que vem antes. O empirismo é importante, a experimentação é importante. O iterar e incrementar e adaptar é relevante.
Quero dizer que é importante estudar assuntos e pessoas que nos dão base: pensamento sistêmico, teoria das filas, teoria das restrições, engenharia de produção, padrões de projetos. Nem falo de software, falo dos padrões dos estudos de Christopher Alexander, que deram origem ao que temos em várias metáforas no mundo da tecnologia.
Claro, dá para não fazer nada disso e acreditar na próxima pessoa vendendo um infoproduto com um método inovador qualquer que certamente já existe faz tempo mas com outro nome.
— Daniel Wildt
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