Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.

É preciso dar vazão aos sentimentos… e sei que tenho um caminho longo para percorrer. Esse assunto se torna mais relevante nos últimos 10 anos. Não que eu não sinta, mas fui indicado a fazer e fazer… e deixar pra sentir depois.

Eu passei por algumas situações da minha vida onde fui indicado pra deixar pra sentir depois. O estoicismo, quando comecei a ler a respeito no início dos anos 2000, também me dizia para eu não sentir, para eu seguir em frente. Controle o que você faz depois do que aconteceu. O que acontece é só o que acontece. E eu nem tinha tomado conhecimento sobre a parte do journal, do refletir, do entender melhor o que foi vivido e ter um momento de sentir. De melhorar. De entender que eu poderia reagir diferente.

Eu fui ao longo da minha vida sendo capaz de aceitar pressão e seguir em frente. A pressão não me afetava, e não me afeta hoje. Ainda assim, eu entendo que existem maneiras melhores de engajar pessoas em problemas. Prefiro deixar as situações de pressão quando elas são não negociáveis, no caso de incidentes e outras questões envolvendo os produtos de software que mantenho.

Quando aprendo sobre programação neurolinguística, ferramentas de comunicação e práticas por vezes me deixavam mais ainda inerte a emoções. Entendo sobre gatilhos que me tiravam do eixo e formas de modelar e evitar. Entendo que persuadir não era algo interessante, justamente por conseguir detectar os movimentos de comunicação de outras pessoas comigo. Não era só eu que não sentia ou não queria sentir.

Ser resiliente não era o que eu estava me tornando, quando conheço sobre comunicação não violenta e sou questionado sobre minhas emoções e minhas necessidades. Deu bug. Eu estava ficando cada vez mais rígido e me tornando uma máquina… onde estava a minha humanidade? Onde estavam meus sentimentos?

Ainda assim eu conseguia cuidar das pessoas, com uma capacidade de conexão interessante. Então de certo modo eu sabia que tinha uma via presente que queria se colocar mais disponível, para contribuir mais. Ser mais útil, e presente. Queria criar um ambiente melhor do que os ambientes que eu cresci. Ainda acredito neste movimento, de criar uma experiência que seja positiva para quem está realizando o trabalho.

Quando descubro Brené Brown, passo a entender que posso ser vulnerável e vou conseguir aprender melhor sobre o que eu sinto neste movimento. Eu posso ter menos certezas. Conhecer um pouco disso não me impediu de fazer umas boas besteiras nos anos seguintes, não cuidando nem dos meus sentimentos e nem do sentimento de outras pessoas, mas venho aprendendo melhor sobre, e principalmente das minhas necessidades.

Como falei, ainda ficarei muito tempo neste processo.

Na terapia sou questionado muitas vezes sobre o que estou sentindo. E por vezes eu travo. Por não saber dar nome.

Dia após dia, quero me autorizar mais e mais a sentir. E a poder expor o que estou sentindo. E poder ensinar e mostrar para quem estiver próximo que sentir é possível. E faz sentido.

— Daniel Wildt

P.S.: Clipe e música: É preciso dar vazão aos sentimentos, Bidê ou Balde. E se você quiser ir mais longe, fiz um SongDoro sobre sentimentos (playlist youtube music).

P.S.2: A frase do título é um dos arrependimentos antes de morrer, do trabalho de Bronnie Ware, que em 2009 fez um artigo que ficou muito famoso, sobre arrependimentos de quem está morrendo (“Regrets of the Dying“).

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