Eu queria ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira pra eu mesmo, não a vida que outros esperam de mim.

Quando nascemos fomos programados para aprender e receber influência a partir de uma série de modelos que estão ao nosso redor. Familiares e outras construções que vão de certo modo construir uma parte da nossa vida.

Aprendemos que a nossa vida é o que é, que essa é a verdade. Nossos valores começam a ser moldados, e aprendemos sobre limites (ou a falta deles) e temos uma série de certezas e crenças que vão sendo institucionalizadas na nossa cabeça.

Depois em determinada idade começamos a ter contato com o mundo real ou partes dele. Vamos descobrindo que o mapa não é o território. E vamos entendendo sobre nossos erros e acertos.

E talvez em um dado momento você quebre. E suas verdades começam a ser questionadas. No meu caso, começo a ter consciência de privilégios que tenho, reconheço a desigualdade do mundo e que existem dificuldades e situações que eu não controlo. E me vejo em um buraco que não lembro de ter construído o caminho para dentro. Lá vou eu, sair mais uma vez.

Tudo o que quero, alcanço? Não. E hoje em dia eu começo a me questionar sobre o que quero, qual a motivação e qual o caminho para conseguir? Eu preciso mesmo?

Qual a motivação de demorar tanto para as coisas acontecerem? Estou em alguma provação? Mais uma? Tenho lições para aprender, já me disseram. Preciso aprender sobre persistir e insistir. Preciso ter paciência.

Ao longo da vida, por algum motivo eu fui percebendo duas coisas que moldaram meus traumas e também me fizeram “ser quem eu sou”, na base:

  • Se eu tenho um problema, tenho que achar uma saída. Corrigindo, se alguém tem um problema eu preciso achar uma saída pra ela. E claro, meus problemas podem esperar.
  • Que eu estou buscando validação. Existe alguém que valida meus movimentos.

Estes dois itens estão presentes na minha vida, e eu venho aprendendo a lidar com eles para me priorizar. Eu preciso resolver as minhas questões e abrir discussão sobre as minhas questões.

O resolver problema de outras pessoas me ajudou a operar no modo mentor e professor. Gosto de poder apoiar pessoas nos seus desafios. Consigo ter atenção, paciência e aguentar muita pressão ao resolver situações. E eu estarei sempre calmo nestes processos.

O querer resolver problemas tem um foco de estabilização. Quero acalmar os ambientes e ter as coisas sob controle. De certo modo, quero controlar as variáveis de um ambiente, para que eu possa atuar em modo prevenção. Não quero me incomodar nem ter surpresas. A Filosofia da Tranquilidade não é um nome de marketing. Eu gosto da tranquilidade, e busco ela… e pelo visto gosto de ver outras pessoas buscando esse caminho.

Um problema é como faço isso… por muitas vezes da minha vida, eu dei o que não tinha nem para mim, para poder resolver o problema de outra pessoa. Ao invés de esperar ter abundância para operar, eu me colocava em escassez, sempre acreditando que seria capaz de resolver o meu problema, depois claro de resolver o problema de outras pessoas.

Na questão da validação, eu sempre estava buscando me superar, sempre achando que não era suficiente para alguém externo. Mais trabalho, mais dinheiro, mais esforço, mais metros quadrados? Até que certa vez ouvi de uma pessoa que eu não precisava provar mais nada pra ela. Meu mundo caiu, pois ali eu me senti abrindo a porta do Show de Truman.

E acho que tive algumas chances de poder perceber que eu estava vivendo uma vida que não era minha. Percebi algumas, consegui ajustar em parte e já consegui entender que preciso fazer outros movimentos.

Eu quero me dar de aniversário de 45 anos a oportunidade de saber que eu estou construindo uma direção de vida que acredito. E onde existir pontos para ajustar, que eu tenha a força para atuar, para acreditar, e que eu tenha a rede de apoio que preciso para dar conta.

Eu não quero morrer jovem, e nem quero morrer velho já estando morto por dentro. Logo, preciso ter uma vida com o que acredito, que seja verdadeira (para mim).

  • Eu espero algo de mim? Qual meus limites?
  • O que eu busco? Um destino ou um processo?
  • O que eu necessito? E como separar as necessidades de puros desejos?

Viver é um processo, com seus altos e baixos, com lições constantes lidando com a nossa fisiologia e com os nossos pensamentos.

— Daniel Wildt

P.S.: Essa frase é um dos arrependimentos antes de morrer, do trabalho de Bronnie Ware, que em 2009 fez um artigo que ficou muito famoso, sobre arrependimentos de quem está morrendo (“Regrets of the Dying“).

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Respostas de 3 a “Eu queria ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira pra eu mesmo, não a vida que outros esperam de mim.”

  1. Avatar de Eu queria não ter trabalhado tanto? – daniel wildt
    Eu queria não ter trabalhado tanto? – daniel wildt

    […] E quando encontrava algo que pudesse ter essa linha, eu botava energia. O medo e uma questão de viver a vida que outros me diziam que eu teria que ter, colava bastante […]

  2. Avatar de Repetir? – daniel wildt
    Repetir? – daniel wildt

    […] estas histórias eu me vejo por vezes com esses medos de falhar novamente mas não por mim e sim por causa do que outras pessoas pensarão (um dos arrependimentos antes de […]

  3. Avatar de Anteontem – daniel wildt
    Anteontem – daniel wildt

    […] decido que quero viver uma vida que faça sentido, para eu que estou vivendo. O tal DE […]