Espanto

Acho que é o que resume. Quando vejo pessoas não fazendo perguntas sobre o que recebem de informação. Sobre não terem dúvidas sobre o que chega. Sobre não terem receio de aplicar algum conhecimento ou regra que não sabem se é válido ou não.

Se é uma informação pública, certamente quem está te passando não é um 007… certamente existe o dado disponível online. Tem que existir gente falando sobre o assunto, notícias, cortes de podcast, denúncias ou furos de reportagem presentes em órgãos de mídia.

Se é informação interna de uma empresa, certamente tem uma planilha respondendo as perguntas, com dados formando a certeza. Dados que normalmente não existem quando “nunca” e “sempre” costumam aparecer em falas de reuniões onde ideias são empurradas para equipes.

E claro, em ambiente corporativo também temos as opiniões das pessoas mais bem pagas na organização. Certa vez um diretor disse que a opinião dele deveria valer mais que a de outras pessoas.

Nota, opinião. Não análises. A pessoa não está dizendo que as análises dela deveriam ser melhor utilizadas dentro da organização.

Ray Dalio trabalha com o conceito de “believability“. Uma forma de criar transparência sobre pensamentos e opiniões de pessoas e entender em que assuntos quais pessoas deveriam ter mais potência de decisão.

Eu tenho ido mais longe… nem todas pessoas deveriam opinar sobre todas perguntas. Se eu não tenho conhecimento sobre um dado assunto, qual a motivação de eu estar opinando sobre o mesmo?

Normalmente opiniões são suposições. Muitas pessoas na internet ainda costumam usar o “supostamente” para evitar problemas jurídicos. A palavra suposição tem poder.

O problema é que trabalhar com suposições é aceitar um risco. E nestes casos, qual o plano alternativo e qual entendimento de impacto temos, caso a suposição se torne inválida? Como vamos sair do buraco que ela nos joga?

O mundo bom é ter certezas, com dados. Ou as dúvidas! Estas tem uma série de perguntas a serem respondidas, com análises de dados, entrevistas e outras estratégias que podem nos ajudar a transformar questionamentos em dados e fatos que nos ajudem a tomar melhores decisões.

Tem um gráfico? Qual a escala? Como os dados estão relacionados? Qual informação influencia na outra? Tem ou não tem correlação?

Como as decisões estão sendo tomadas? Quais critérios estão em jogo? Qual a prioridade entre os critérios? E os pesos?

E no passado, como essa informação flutuou? É um dado contínuo ou pontual dentro de um certo evento? Quais perguntas ajudam a entender o fenômeno sendo estudado?

Faça perguntas! Persuasão é algo real. Viés é algo real.

Entenda onde você está e para onde as pessoas estão tentando te jogar. Tenha pensamento crítico.

— Daniel Wildt

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