Por muito tempo e por muitas vezes, eu tento salvar as pessoas delas mesmas. E quando percebo, acabo me afogando.
E o salvar não é nada necessariamente mirabolante não. Exemplo simples recente?
Tipo, eu sei que determinada pessoa não se planejou para o dia seguinte adequadamente e acabo fazendo alguma pergunta que obriga a mesma a pensar melhor sobre o dia seguinte, tomando consciência que ainda não fez determinado planejamento ou organização de uma decisão.
Eu sempre falo que nossos dias começam no dia anterior. E continuo me percebendo correto em pensar assim. Entender os blocos já disponíveis do dia seguinte se torna algo facilitador.
Eu me considero bom em resolver problemas, em buscar entendimento, fatiar os mesmos e priorizar o que precisa acontecer antes para criar espaço para o restante do planejamento. O necessário, somente o necessário.
Isso é bom, mas tem situações onde passo limites. Meus, principalmente.
Tem certas vezes que eu me meto mais na vida das pessoas do que deveria. E não é por ser algo inconveniente. É um entendimento de riscos que precisam ser mitigados. Só que no fim, é apenas um exercício onde eu passo raiva. Algumas pessoas simplesmente não estão preparadas para escutar, ainda. Ainda precisam aprender e passar por algum tipo de aprendizado.
Que não depende de mim, nem de outras pessoas, nem pode ser acelerado por alguma teoria ou história. Falta consciência sistêmica, falta entendimento de mundo para conseguir criar paralelos e criar algum tipo de bloco de apoio. Falta viver, em resumo.
E o mesmo funciona para mim. Eu ainda acho que consigo apoiar sem me afetar emocionalmente. “Acho” que consigo apoiar por entender que estou fazendo bem. Só que em dado momento eu consigo perceber que não sou escutado e pior, por vezes me torno o vilão da situação por insistir em algo que não existe espaço para dar certo. Não importa se as minhas motivações tem algo de sobrevivência ou de oportunidade. Não vai acontecer.
Então, venho faz um bom tempo já aprendendo a evitar ajudar pessoas em profundidade e entendimento, que não querem ser ajudadas. Estamos falando de 22 anos de aprendizado em andamento e aumentando no assunto. Por vezes, ainda me falta perceber algumas indicações. Quando vejo, estou “dentro do problema perdendo meu tempo”. Se existe algum lado positivo neste processo é que tenho acesso a desculpas bem interessantes sobre o não fazer algo.
O que mais me incomoda neste processo é a falta de consideração com o próprio processo e o sistêmico. De não cuidar com o que está em volta.
Um filtro que tem crescido mais e mais por aqui é sobre indicações. Eu só faço indicações nos dias de hoje quando sei da capacidade de execução de uma pessoa, seja por feitos recentes ou feitos presentes. Não existe indicar alguém que está em modo gerúndio.
Na linha do incomodar, também quando uma pessoa ao invés de resolver problemas resolve amplificar problemas. Um problema é melhor do que dois problemas, diz meu colega de basquete Iann Camargo. Também me lembro de uma embalagem de açúcar que tinha o escrito “invente menos problemas”.
Parece estranho alguém que gosta de resolver problemas querer menos problemas, mas o meu ponto aqui é saber que estamos olhando para o problema correto.
Salvar? Não mais.
— Daniel Wildt
P.S.: eu busco o cuidado com as pessoas que estão próximas de mim também. Tem alguns projetos meus que não vão sair do papel ainda. Quando eu digo para as pessoas que querem me mentorar de que ainda não é o momento, elas podem até achar estranho, mas não podem me acusar de querer iniciar algo que não darei a devida energia. E somente vou gerar frustração, mútua.
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