Luto

Ver, viver e experienciar. Com toda a dor e todo desprendimento que acontece ao longo do processo. Deixar ir, secar com todas lágrimas e sofrimento que parte é inventado, parte saudade, parte ressentimento e tristeza.

O poeta fala que é sempre amor mesmo que mude ou acabe, onde quer que esteja, mas talvez datas importantes existam para podermos ao longo da vida nos lembrarmos eventualmente de algo, até que um dia a gente esquece da data e lembra a cada 2 anos ou depois ou nunca mais.

Eu quero lembrar, quero ser lembrado e quero ser lembrança. Só que somente a primeira parte está no meu dito controle. Se eu não anotar eu não vou lembrar. Se eu não sentir eu posso esquecer e deixar de criar sentido para uma data, palavra, sentimento, lugar ou o que quer que seja. Talvez consiga sentir a primeira vez de algo por não lembrar mais o que senti no passado.

Tem situações onde o luto é imposto. Distância criada, morte que chega, mudanças que afastam. E situações onde o luto existe para proteção e continuidade. Para cuidado e aceitação.

Em qualquer situação, luto. E essa luta é na base tristeza de algo que poderia ter acontecido, ou evitado. No fim, deixei de ser lembrança. Vaidade, ego, pode ser o nome que for. Talvez o sentimento real é de ser esquecido, de ter pessoas que não lembram mais do que fizemos. Que não vão poder agradecer um cuidado ou todo esforço dedicado.

No fim do dia, luto. Em não criar expectativa, nem esperar o que não ficou claro. A escuta não é mais uma opção. O olhar perde significado. A presença deixa de ser real.

No fim, luto.

— Daniel Wildt

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