Criar tempo que se possa perder

Uma época eu só trabalhava com a lista de tarefas e usando Pomodoros (e Songdoros). Isso me fazia querer funcionar sempre “em foco”. Sim, ilusão.

Um dia percebi que não estava sendo mais criativo, ou no caso a minha “criatividade inusitada”. Estava sem tempo para perder, pensava. Mais uma vez, ilusão.

Eu estava usando playlists de música durante o dia todo para focar em atividades. E deu um acaso de várias destas listas terminarem na mesma música. No caso do Songdoro, a última música é uma break song, como se fossem os 5 minutos finais do Pomodoro. É a música para “dar uma parada”. Para dar uma quebrada, acalmada, como quiser dizer aí.

Bom, eu estava dirigindo e toca na rádio a tal música, e eu me pego relaxando no carro. Fiquei preocupado com o condicionamento que estava acontecendo.

Uma mudança que fiz nesta época foi fazer com que eu só tivesse 4-6 Pomodoros por dia, no máximo. De resto, precisava ter tempos mais soltos, livres para pesquisas e outras tarefas de descoberta. Até poderia seguir ouvindo música, mas sem estar preso aos ciclos de 25+5 minutos.

Nesta semana estava pensando como estavam me faltando tempos mais soltos. Destes tempos que eu poderia me perder pesquisando algo, que normalmente era de onde surgiam boas ideias. Os SongDoros e Pomodoros me servem muito quando estou em modo entrega ou preciso percorrer alguma tarefa repetitiva. Me coloco em modo “faça isso e só isso” e consigo, na maioria das vezes, ter um tempo de foco.

Então agora estou buscando na minha agenda tempos que eu possa perder. E esse perder é neste sentido que pode acontecer de descobrir algo bem legal, mas pode acontecer de eu não descobrir nada e talvez possa parecer tempo perdido. Só que eu sempre me lembro que mesmo estes tempos são tempos de progresso. Eu só descobri um novo caminho sobre o que não fazer.

— Daniel Wildt

P.S.: sobre pomodoros e songdoros, tenho textos e vídeos sobre.
O songdo.ro ganhou até site.

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