Entidades

Tenho pensado sobre quais parâmetros estão me guiando. Quais “entidades” me indicam se estou vivendo e como estou vivendo.

E aqui falo generalizando. Falo de “entidades” como mercado, sociedade, o empresariado, o ser humano. Também é possível ler por aí termos como “senso comum” e “bom senso”.

Não somos todo mundo, e somos diferentes entre nós, na nossa prática de trabalho e no que acreditamos como ideais de uma vivência.

Eu tenho feito essa reflexão sobre os ideais de uma empresa.

Empresa é, na minha definição, um organismo que existe para resolver algum problema. Que serve um outro conjunto de empresas ou pessoas, que ajudam estas pessoas em alguma jornada ou parte de uma jornada. Uma empresa existe por existir uma demanda.

Se somos diferentes, devemos demonstrar isso? É como poderíamos aprender mais com as nossas diferentes visões e histórias, compartilhando e vivendo estas visões?

Cada profissional e cada empresa deveria se posicionar e ser intencional nas suas ações? Ser proposital no impacto (positivo) que deseja causar? E aí? Estamos no caminho? Ou queremos ter os mesmos selos e ser o tal status quo?

Vou para um outro lado aqui, para expandir essa intencionalidade e até posicionamento.

Meu pensamento é que toda vez que não conseguimos ser éticos, uma lei ou regra precisa ser estabelecida para dar conta e organizar. Toda vez que isso acontece, mais longe de uma anarquia estamos.

Eu gosto da palavra anarquia, significado que podemos tentar desenvolver como sociedade ou pequenos organismos que podemos construir.

Deixa eu conceituar aqui o ético e a tal anarquia.

Ético aqui considerando: Parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. Conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

Anarquia aqui considerando: Sistema político baseado na negação do princípio da autoridade. Do grego anarkhía, ‘falta de chefe ou governo’. Teoria política e social segundo a qual o indivíduo deveria desenvolver-se livremente, emancipado de toda tutela governamental. 

Como podemos nos desenvolver de forma livre se vivemos em um ambiente de interdependência? Precisamos de outras pessoas para realizarmos nossa prática. Isso já me faz refletir bastante. Principalmente com a palavra liberdade, que ao que parece vai ser linha até o final deste texto.

Precisamos de normas ou precisamos perceber as normas que estão presentes onde vivemos? Em cada contexto isso muda. Sabemos que cada lugar do mundo possui conceitos, preconceitos e normas estabelecidas. Então existe uma variável de contexto. E sempre vai ter. Desde o início do texto já trago essa questão… somos diferentes!

E aí tem uma outra questão, que parece não estar no nosso controle, por não sabermos como o nosso jogo inicia. Como podemos nos desenvolver de forma livre se por vezes não temos acesso? Como ser livre, se precisamos por vezes nos alienar e aceitar viver trabalhando para outras pessoas, que em muitos casos exploram a nossa força de trabalho? Se tornar livre como? Do viver o sonho empreendedor? Vira pro dia seguinte e a pessoa se descobre uma “CEO de MEI”. E descobre que não era bem isso que ela gostaria de ter se tornado. Bom, se você acumula privilégios, isso pode ser diferente. O beach tênis venceu para você? Pode ser mais fácil navegar pelo mundo.

Como eu posso querer me tornar livre, não aceitando autoridade alguma, se fui ensinado que preciso aceitar autoridade? A gente aprendeu a associar a palavra anarquia como um ambiente de revolta, e não como algo que foi configurado para ser assim, programado, organizado.

O problema de sucesso ou fracasso de uma equipe não está na hierarquia ou falta dela. Está em como o poder se movimenta e se estabelece em um sistema. O quão reprimidos somos? O quanto de autonomia a gente tem?

Você consegue viver e respeitar as pessoas sem precisar de “regras”? Respeito é uma regra? Ou uma forma de mantermos nossa sobrevivência e a de outras pessoas? Essa é a nossa ética?

Para poder viver neste modo atual que vivemos, precisamos entender os limites das outras pessoas, certo? Nos adaptando e ajustando? Em certos aspectos, nos afastamos de pessoas por não entendermos o seu funcionamento. Ou por elas não entenderem o nosso.

Será que precisamos de algo que nos dê os princípios e valores para nos guiarmos? Essas seriam as nossas regras? Qual seria o senso comum?

A constituição? Quais são as “entidades” do seu mundo, que te ajudam a tomar decisões? E quais princípios você desenvolveu e aprendeu ao longo da sua história, que dão a base para o que você acredita?

Somos livres em algum aspecto, de verdade? Se nossos valores nos fazem ficar onde estamos, para proteger ou viver perto de quem escolhemos, somos livres por escolhermos? Ou neste caso, por não estarmos vivendo de forma solitária, não somos livres?

Se fizermos o que queremos estamos nos dando para os nossos desejos… será? Estamos presos na gente mesmo, no fim. Algumas definições de liberdade…

Liberdade por Aristóteles: A liberdade é a capacidade de decidir-se a si mesmo para um determinado agir ou sua omissão”. Logo, liberdade é o princípio para escolher entre alternativas possíveis, realizando-se como decisão e ato voluntário.

Liberdade por Sócrates: O homem livre é aquele que consegue dominar seus sentimentos, seus pensamentos, a si próprio. O pior caso seria o homem deixar que as paixões o controle.

Liberdade por Nietzsche: Ser livre é ser autêntico, sem influências de nenhuma ordem. O homem livre para ele é aquele que tem condições de estabelecer seus próprios valores.

Liberdade por Sartre: Uma condição intransponível do homem, da qual, ele não pode, definitivamente, esquivar-se, isto é, o ser- humano está condenado a ser livre e é a partir desta condenação à liberdade que o homem se forma. Não existe nada que obrigue o ser humano agir desse ou daquele modo.

Fico aqui pensando, como comecei e talvez agora com mais perguntas… quais serão estas entidades que limitam o meu pensamento ou dão forma?

E aí?

— Daniel Wildt

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