Vida de impressões

Estava assistindo um debate entre duas pessoas políticas, dias atrás. Fiquei impressionado com a capacidade de manter o sorriso no rosto de uma das pessoas debatedoras, beirando aquele sorriso de ironia e sarcasmo. Eu não aguentaria as incursões preconceituosas da parte tentando provar um ponto do alto do seu privilégio, enquanto a outra parte simplesmente trazia princípios e mantinha aquele sorriso no rosto.

Não era uma questão prática, era uma questão de princípios, de cuidar do que realmente importava. Aquele debate era inválido só pela falta de cuidado e entendimento “do básico”.

A sensação é que estas pessoas estão atrás de “cortes”, para poderem depois criarem vídeos para repassar em seus grupos, para “provar” que elas se posicionam e defendem os interesses desses mesmos grupos. E na prática, o interesse nem é em fornecer um argumento, mas sim de desqualificar a outra pessoa debatedora. Capaz de nem se lembrar o assunto base.

Me parece que algumas pessoas ignoram a complexidade de viver em um país de terceiro mundo, e invadem conversas importantes trazendo palavras sinônimas de meritocracia e insinuando que “mudar de vida” é uma escolha. Discurso muito comum de pessoas cheias de privilégios que não possuem noção do que significa quebrar barreiras e históricos de sofrimento passados por gerações anteriores.

Estas mesmas pessoas vivem trazendo que são empáticas, que “sabem” o que o povo precisa. Elas esquecem que estão em lugares onde orçamentos não são problema, onde rúbricas infinitas habilitam compras e acesso a recursos que o ser humano comum não tem a mesma habilidade para acessar.

Essas pessoas tem a impressão de que sabem o que significa injustiça. Tem a impressão que sabem o significado de liberdade. A única coisa que elas expressam de verdade, com toda alma, é a incapacidade de se responsabilizar pela necessidade de cuidar das suas pegadas sociais e da sociedade que realmente precisa de atenção.

O problema? Estes assuntos que realmente precisam de atenção não geram as impressões importantes para os grupos, que acreditam que só falta interesse e vontade para as pessoas darem certo na vida. E assim o abismo social segue crescendo.

— Daniel Wildt

Extra: tudo o que fazemos possui uma crença política associada, com relação a como visualizamos

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