Quando você se cala?

E não é o caso de um pedido de uma pessoa sobre algum assunto que incomoda ou precisa de atenção.

Estamos falando de injustiças e de modelos de mundo.

“Nossas vidas começam a acabar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam.” — Martin Luther King Jr.

E o não calar também envolve se posicionar e demonstrar um caminho de aprendizagem enquanto reconhecemos um problema.

É o ser antirracista ou antimachista. É reconhecer que cresci em uma sociedade racista e machista e que preciso me reconhecer para evitar que seja ou faça algum tipo de ato. É aprender com a prática. Com o cuidado e o entendimento do que se acredita em modelo de mundo.

Quando alguém fala que é contra doar comida para pessoas sem capacidade financeira para comprar alimentos, esquece que quando a gente resolve um problema, antes resolvemos um incidente, o imediato. E em paralelo, trabalhamos para resolver o problema, que pode demorar semanas, meses ou anos. No caso da fome, centenas de anos pelo visto.

Quando se é contra programas assistenciais para pessoas de baixa renda para complemento de renda, mas se é a favor de redução de impostos para empresas, também um programa assistencialista, temos um problema de lógica. Quando se é contra cotas, mas se acha tranquilo privilégios e relações de poder e influência, temos um problema de lógica.

Eu me pergunto quando foi que se aprendeu a “se calar” ao ver o mundo como é. Pessoas por algum motivo acreditam que não fazem parte do problema. São assim pois se beneficiam do sistema? E se é sistema, não deveria cuidar do todo?

Ao olhar o mundo como algo real e material que está produzindo o que está produzindo, que foge do pensamento de sustentabilidade, temos um problema de lógica ou de ética? Não é nem sobre a questão de quem deveria ter não tem e essa assimetria de acesso a serviços de saúde, educação e outros. A minha discussão é que se acha normal não ter continuidade. Como podemos viver um mundo que não se preocupa com o “continuar existindo”?

Quem sabe faz a hora? Sem apoio, sem comunidade e sem influência, faz até, mas não como poderia ter feito. Em uma sociedade que “like” é apoio e não precisa de nenhuma ação ou atitude conectada com o mundo real, nos tornamos economizadores de energia. Não queremos a fadiga. Se for o caso de gastar energia, o que vai ter de volta? E o individualismo, onde eu me garanto e as outras pessoas que se virem.

Uma vez estávamos em sociedades no estilo “caçador-coletor” onde as pessoas tinham papéis e responsabilidades e de algum modo mais igualitário. Caminhavam juntas e tinham estruturas para permitir continuidade. Pequenos grupos, comunidades que se apoiavam.

Hoje vivemos em um mundo doente. Onde precisamos ter paciência olhando todas injustiças e assimetrias do mundo. E acreditar que não estamos em outro lugar por não nos esforçarmos o suficiente?

Quer ser o melhor? Como diz MC Marechal, vai ser o melhor para a tua comunidade.

— Daniel Wildt

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