Me deixei no passado. Agora chegou a hora de me resgatar.

Hoje eu concluí que eu esqueci de mim. Salvei outras pessoas no caminho e me deixei. Sei que não era o indicado, mas foi o que deu para fazer.

No princípio das máscaras de oxigênio, na despressurização de um avião, se fala para colocarmos a máscara primeiro em nós mesmos antes de ajudarmos outras pessoas.

Não deu jeito de fazer isso e por algum motivo eu consegui executar o que tinha que executar para resolver um problema. E passou já um bom tempo que isso aconteceu, quase dois anos.

O problema é que eu me deixei lá. Eu já me escrevi coisas me falando que eu estava mal, mas eu não percebia. Tipo, percebi anos depois. Hoje a lição foi vivida, não percebida.

Eu não resolvi os gatilhos que tinha vivido no passado e que me fizeram mal. Eles estavam escondidos e por alguma circunstância ou sorte da vida, eu não tinha caído neles neste período.

Neste período eu também aprendi a sentir mais, e dar nome para o que percebo. E sigo aprendendo. Aumentando minha consciência.

Eu voltei a sentir os gatilhos, em em uma situação parecida com a do passado. E o impacto agora foi muito maior. E eu descobri, da pior forma, que eu não aprendi a lidar.

Ansiedade em níveis não interessantes. Não desejo isso para ninguém. Crises de ansiedade nos tiram o eixo. É um aperto no peito, angústia, misturado com falta de ar que não se sabe de onde vem e uma incapacidade de seguir em frente. Respirar fica difícil. E no meio de tudo isso, me pego vivendo emoções que já tinha vivido, mas não sabia e ainda não sei como lidar. E na época, pior ainda, eu não sabia nem fazer um pedido a respeito. Não conseguia nem observar o que estava acontecendo. Era reativo comigo, principalmente e com o ambiente, me isolando muitas vezes. Sem saber como enfrentar o que eu estava sentindo.

Observar e absorver.

E uma estrutura: observação, sentimento, necessidade e pedido. Aprendi quando estudei sobre Comunicação Não Violenta, a CNV. Hoje faz 12 anos que aprendi e sigo aprendendo a praticar esta estrutura.

O que está diferente. Eu estou começando a entender o que se passa nestas situações que vivi, mas não é conclusivo. Preciso de apoio de uma rede de apoio.

E aí entra a minha forma de resolver meus problemas. Eu preciso passar novamente pelo caminho que me machuca e que me atravessa, para entender o que se existe ali e ter consciência de como esse lugar não precisa me afetar.

Está sendo bem desafiador pedir capacidade de escuta onde existe indiferença para o que sinto. Estou experimentando formas de formular o pedido.

Que a minha vida pode ser diferente e leve, mesmo que seja em um assunto que me deixa triste ou frustrado, por algo não acontecer no modo como eu gostaria. Pessoas sentem diferente a vida. E interagem de formas diferentes conosco.

Eu chamo de Tranquilidade no Caos por entender que consigo ler o que está acontecendo, entendo o que tem para mim e o que não deve estar no meu controle. Nada deveria estar no nosso controle, é verdade. O que acontece é o clássico, não controlamos o que acontece. Controlamos o que fazemos com o que acontece.

Nem sempre é assim, quando não sabemos lidar ainda com algum tipo de sentimento. Eu ainda tenho muito o que aprender sobre a minha existência. E viver é prática. Estamos em eterna aprendizagem sobre nós mesmos.

Sentimentos que antes ficavam presos e se mostravam como raiva ou silêncio, ganham o real significado com tristeza e frustração, sobre como esperávamos que alguém se comportasse conosco. Indiferença onde a gente esperava cuidado e amor. Praticidade onde era preciso escuta ou só silêncio.

Que os dias possam ser mais leves. Que eu me encontre no caminho. E se você está aprendendo a sentir, boa jornada por aí. Quem sabe a gente se encontra no percurso.

— Daniel Wildt

P.S.: Filosofia da Tranquilidade no Caos é o nome de um livro que publiquei em 2024. Ele tem uma série de reflexões e não é um guia ou algo para ser seguido. Brinco que são textos para nos percebermos quando eles fizerem sentido. Eu sigo aprendendo sobre o ser tranquilo.

P.S.2: Em maio de 2018 eu escrevi um texto. Em abril de 2020 eu achei esse texto e li. Era um pedido de ajuda que eu escrevi para mim, mas eu não percebi ele assim. Era um pedido claro. Ele terminava com uma frase: “Quando o sofrimento toma lugar do desafio, o aprendizado perde seu valor“.

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